segunda-feira, 9 de maio de 2011

Eleições no Império: por que Átila

[Texto publicado também no site Galeria do Samba]


Uma escola de samba - uma que se pretenda a tal - não pode jamais perder a perspectiva de sua humanidade, isto porque, em essência, é seu povo que a define, perpetua e lhe dá caráter; porque, antes e acima de tudo, uma escola de samba é aquela gente que, nascida ali ou não, renasce em seu pavilhão, confunde-se a suas cores.

Isto é o que legitima uma escola de samba: o movimento - a entrega, a presença - dos seus.

O Império Serrano representa, no meu universo de valores afetivos, a esperança, a dignidade, a coragem, a criação, o talento, a revolução, a juventude - um conjunto de estandartes viscerais, elevados, altaneiros, que poderia resumir, pois, naqueles que, cada um a seu jeito, notabilizam-nos: Silas, Décio, Fuleiro, Molequinho, Eulália, Ivone Lara, Roberto Ribeiro, Aloísio Machado, Beto Sem-Braço, Rachel Valença, Jorginho, Arlindo, Mestre Átila... Sim, Átila dos Santos Gomes Nascimento: ao mesmo tempo passado, presente e futuro desta história.

O leitor compreende?

Não se trata de uma linha evolutiva com ganas de perfeição etc., mas da afirmação histórica de uma estirpe imprescindível, de uma frondosa cepa: a dos grandes imperianos, que nunca - mesmo nos momentos de maior dificuldade - nos faltaram. E é por isso - uma vez que o Império se prepara para mais um evento decisivo, que põe em jogo seu porvir - que me parece absolutamente natural, orgânica, a candidatura de Átila, cria e glória da escola, e é por isso que todo meu entusiasmo ora se dedica à sua eleição; porque traz por sentido [por norte] um Império Serrano que se comporte como Império Serrano, ousado, responsável, rejuvenescido, arejado, auto-referente.

Minha paixão pelo Império Serrano tem uma cláusula pétrea: o orgulho. Nunca, nos já quinze carnavais em que desfilei pela escola, entrei na avenida com uma convicção senão a da vitória; porque sempre considerei - e considero - este seu destino incontornável, fundamental. Vencer.

E isto - este sentimento, esta confiança, esta intimidade sanguínea com o triunfo - não pode mudar.

A palavra de ordem "Átila tocou reunir" - com todas as mensagens que desperta e impõe - tem sobre mim o efeito de uma convocação pátria; mobiliza-me as mais nacionalistas paixões cívicas, e me faz crer e apostar na superação de um fantasma que já me assombrava: o jeitinho, o improviso, as soluções com base em favor e compadrio, a acomodação, a resignação ante desfiles medíocres e colocações vergonhosas, assim como se ao Império Serrano fosse facultado o direito de desfilar por desfilar.

Com o passar dos anos, a noção de planejamento - de estrutura, de projeto em longo prazo - tornou-se quase maldita, algo inatingível para a agremiação; e é por isso também que saúdo confiante o tripé que sustenta a candidatura de Átila à presidência, o qual, aliás, já aplicou, com deslumbrante sucesso, à bateria: profissionalismo, gestão e resultado; porque não se bota verdadeiramente uma escola como o Império na Sapucaí apenas com abnegação e amor; porque, sinto muito, só amor não basta.

Átila sabe o caminho, e não à toa foi escolhido para liderar um movimento jovem, que encarna um modelo administrativo empresarial, que olha para frente sem jamais descuidar das tradições; um movimento que quer valorizar e realçar, por meio de um trabalho consistente e estruturado, as tradições imperianas - para que possam ser não tudo o que temos, mas aquilo que faz a diferença, a carta na manga, o pulo-do-gato, a chancela decisiva, a patente que desempata. É sob este espírito, portanto, que leio a notícia de que, eleito, Átila trará o experiente [e experimentado] carnavalesco Mauro Quintaes, o puxador Nêgo e coreógrafo Carlinhos de Jesus, a base técnica de segurança e apuro para o desenvolvimento do enredo de nossos sonhos, aquele que nos cativa pela raiz: a urgente homenagem a Dona Ivone Lara.

Não há outra direção - outro equilíbrio - para que o Império Serrano respeite sua vocação e reconquiste a passarela das glórias.

Minhas palavras - atenção - não são de desdouro aos demais concorrentes, que têm valor e serviços prestados à agremiação, mas um chamado a percebermos que não é simplesmente uma eleição o que vemos no horizonte, bem antes a possibilidade de uma guinada, de um outro tempo, de um novo tempo, algo maior... Um Império que volte a olhar para si com altivez; um Império que afinal some trabalho planejado ao amor desmedido; um Império que lance mão dos seus para - estruturando-se profissionalmente, com consistência técnica - ser ainda mais Império.

Àqueles que julguem isso tudo conversa fiada, convido a que observem a campanha eleitoral em curso e a postura positiva - propositiva, respeitosa, democrática, livre de caça às bruxas e de golpismos - como se apresenta a candidatura de Átila. Tem-se aí dado, sempre, determinante, incondicional, o pressuposto que nos distingue e une, bem maior do que o fato de sermos adversários e não inimigos: o de que somos - todos, hoje, amanhã e depois, eleitos ou não - imperianos.

4 comentários:

Tocou Reunir! disse...

Andreazza, agradecemos e muito pelo apoio e pela parceria.
Tocou Reunir!

Alex Paulista disse...

Parabéns, Andreazza!!!

Vamos à luta!!!! abs Alex Paulista!!

luiz antonio simas disse...

Assino!

Ana Marçal disse...

Andreazza,

Concordo com você quando diz que a Chapa Tocou Reunir tem o tom de chamado cívico. É como se a chapa fosse dinâmica, nos levando a agir e participar. Nós, verdadeiros imperianos, deixamos de ser expectadores para sermos atores e participarmos desta história, reconstruir um Império Serrano de glórias.
È possível sim unir a tradição e raiz de samba do Império a uma gestão profissional e por resultados.